O mundo é uma festa, mas o gelo está acabando


Discutindo o que interessa

A matéria do jornalista Claudio Angelo na FSP de hoje dá uma contribuição ao debate eleitoral que os articulistas políticos não tem conseguido. Ao relatar os casos concretos em que se evidenciaram as diferenças entre a então Ministra Chefe da Casa Civil Dilma Roussef e Marina Silva, à frente do MMA à época, fica muito claro o abismo que precisa ser rompido se houver de fato o interesse em aproximar o eleitorado de Marina Silva da candidata governista.

A comparação com o apoio de Dilma às demandas de Minc não servem de parâmetro, já que o próprio Ministro à época citou o "dois-pra-lá-dois-prá-cá" que Marina sempre evitou e que não condiz com a motivação do eleitorado que viu em Marina um novo modo de fazer  política. 

A apresentação pelo PV de uma plataforma sobre a qual os candidatos podem se debruçar e assumir compromissos é uma oportunidade para elevarmos o nível do debate eleitoral. O PT tem o diferencial de já poder demonstrar suas boas intenções agora. Casos como o de Belo Monte e o Porto Sul não precisam aguardar a mudança de governo para serem adequadamente tratados. Isso seria um modo concreto de demonstrar real compromisso e conquistar o voto dos eleitores de Marina Silva preocupados com a sustentabilidade. No meu caso, faria toda a diferença entre o voto em branco e um voto de confiança. Não estou disposta a pagar para ver no futuro. Já vi esse filme.

São Paulo, domingo, 10 de outubro de 2010




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PT tenta apagar fama "antiverde" de Dilma

Objetivo é atrair eleitores de Marina; quando ministras, as duas tiveram embates frequentes na área ambiental

Petista é apontada como um dos pivôs da saída da senadora do governo; infraestrutura era maior tema de discórdia

CLAUDIO ANGELO
DE BRASÍLIA

Para atrair os votos ambientais de Marina Silva (PV), o PT está tentando passar uma demão de tinta verde em Dilma Rousseff. A operação deve começar por um ataque à reforma do Código Florestal do deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), aprovada em comissão especial da Câmara e que aguarda votação em plenário.
Será difícil, porém, apagar a fama de antiambientalista de Dilma. A ex-ministra da Casa Civil sempre antagonizou com Marina, e é frequentemente apontada como um dos pivôs da saída da senadora do governo e do PT.
Na opinião de gente que acompanhou os embates entre as duas, Dilma potencializou um desenvolvimentismo que o próprio Lula não manifestava no começo do governo, e que culminou com a retirada de apoio do presidente à pasta de Marina. Essas fraturas devem dificultar a aproximação entre Marina e a petista agora.
Todas as negociações entre a Casa Civil e o Meio Ambiente nos três anos em que as duas ministras conviveram precisaram "subir" para a arbitragem presidencial.
O pomo da discórdia, desde o início, foram as obras de infraestrutura.
Já em 2005, antes do lançamento do PAC, Dilma mandou excluir a componente de infraestrutura do PPCDAm (Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia), coordenado por ela. O plano, assim, deixava de abordar alguns dos principais vetores da devastação -hidrelétricas e estradas.
Em 2007, com o PAC na rua, Dilma pressionou o Ministério do Meio Ambiente pela liberação de licença para as bilionárias hidrelétricas do rio Madeira (RO). O episódio, conhecido como a "crise do bagre", terminou com o atropelo de um parecer do Ibama contrário à licença.

SUBVERSÃO
Dilma também manobrou contra Marina num ponto-chave para a conservação ambiental: a criação de áreas protegidas.
O trâmite normal inclui o encaminhamento do processo, após sua conclusão, à Casa Civil para consulta a outros ministérios.
Segundo fontes da área, Dilma subverteu esse rito, e a criação de novas áreas passou a depender da bênção do Ministério de Minas e Energia. Onde houvesse cachoeiras com potencial hidrelétrico, a criação era barrada.
Uma das principais unidades de conservação propostas por Marina, a Reserva Extrativista do Médio Xingu, foi vetada porque poderia atrapalhar a construção de barragens adicionais à usina de Belo Monte.
O resultado é que a criação de áreas protegidas caiu pela metade desde o lançamento do PAC.
Isso ficou mais evidente após a saída de Marina: na gestão de Carlos Minc, foram criadas sete unidades de conservação e assinadas 152 licenças para obras -contrariando o mote dele de "dois para lá, dois para cá" (duas licenças, dois parques).
Em 2008, quando os governadores da Amazônia pressionaram pela implosão do decreto presidencial -costurado por Marina- que determinava o corte de crédito a desmatadores, Dilma e Lula transmitiram o recado a Minc. Ele se recusou a assumir o ministério se o decreto fosse derrubado.
A manutenção do instrumento revelou-se crucial para a queda recorde no desmatamento, que o PT tentará capitalizar na eleição.
Minc discorda das críticas feitas às credenciais verdes da companheira.
"De 11 lutas que eu travei no ministério, nas 8 que ganhei tive o apoio da Dilma."
Ele cita a criação do Fundo Amazônia (também articulada por Marina). "Bati o pé e ela ficou do meu lado."
Minc diz ainda que Dilma apoiou a proibição do plantio de cana no Pantanal e a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para turbinas eólicas.



Escrito por Adriana Ramos às 11h32
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